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Björk está em álbum do grupo de rap Death Grips e no acervo do MoMA

Cantora anuncia que app Biophilia entrará para coleção do museu novaiorquino
Cantora anuncia que app Biophilia entrará para coleção do museu novaiorquino

Björk não costuma sumir por muito tempo, mas, desde que lançou o videoclipe de “Mutual core”, o último de “Biophilia”, seu sexto álbum solo, ela anda quieta. Hiatos artísticos como este podem significar: resguardo criativo, momento de pesquisa ou… parcerias bombásticas em curso. E na semana passada, quando o grupo de rap californiano Death Grips anunciou que todas as oito faixas do seu quinto disco, “The powers that B”, teriam participações de Bjork, foi confirmada a teoria de que o ócio da artista islandesa é sempre criativo.

A parceria entre Death Grips e Björk já existe desde o lançamento de “Bastards”, álbum que reunia os remixes de “Biophilia” feito por Osmar Souleyman, Hudson Mohawke e Matthew Herbert. MC Ride (alter ego do rapper Stefan Burnett, líder do grupo) assinou dois remixes para o projeto: “Sacrifice”, repleto de quebradas magnéticas e que tem múrmuros guturais como pano de fundo; e “Thunderbolt”, cujas repetições sistemáticas de batidas ecoam com o coral de Björk.

Na ocasião do lançamento do álbum de remixes, no final de 2012, Björk declarou ao NME:

— Senti que era importante reunir a essência dos remixes. Então peguei uma parte deles para colocar em um CD, para as pessoas que talvez não baixem arquivos sempre ou não têm o tempo e a energia para entrar nos rituais de caçar e juntar da internet.

“Bastards”, aliás, relembra o trabalho de reconstrução musical que Björk fez com “Post”, de 1995, quando relançou todas as músicas de seu segundo disco juntas à inédita (e neuroticamente lúdica) “My spine”. O resultado pode ser visto em “Telegram” (1996) e ambas compilações estão disponíveis para audição em streaming no Spotify.

Se você não conhece Death Grips, saiba que o som deles é um hip hop pós-apocalíptico que costura efeitos digitais sujos com estalos orgânicos dentro de uma intensa sonoridade que soa como produto de uma audioinstalação. É dançante, mas é também contemplativo, denso, repleto de significados obscuros. No entanto, não tem o peso onírico dos artistas que primam pela circunspecção: Death Grips faz um som da terra, de harmonia mineral, que se constitui como o tubo energético que conecta o magma subterrâneo às valas do underground de Nova York. Catalisador e hipnótico, mas também subjetivo e marginal.

Bom exemplo da alquimia que o Death Grips propõe está na única música divulgada até agora do novo trabalho com Björk. “Up my sleeves”, que você vê no alto desta página, foi postada há uma semana no canal do YouTube do grupo.

Além desta parceria, outra notícia trouxe de volta o nome de Björk para a mídia: o Museu de Arte de Moderna de Nova York (MoMA) acaba de anunciar que integrará o aplicativo lançado em 2011 para divulgação de “Biophilia” ao seu acervo. É, contudo, o primeiro software para iPad que entra para a coleção do museu.

Em nota à imprensa, Paola Antonelli, curadora sênior de arquitetura e design do MoMA, disse que já pensava em introduzir o app Biophillia ao acervo há três anos.

— O aplicativo foi lançado um ano depois que o iPad foi anunciado, quando ainda estavam sendo experimentadas as vantagens de contar uma história em uma tela portátil, mas que fosse maior do que a do telefone celular — escreveu a curadora.

Se você ainda não conhece o programa que Björk lançou em 2011, clique aqui para comprá-lo na Apple Store. Com uma programação artística para cada uma das dez música de “Biophilia” (o álbum), Biophilia (o app) mistura videogame com uma mesa de som roteirizada, onde o usuário pode participar da performance musical e, conforme ganha pontos, interage com a criação e os efeitos visuais de cada peça artística.


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