VIDEOCLIPES

Diga adeus à Copa com sete músicas de artistas alemães

Playlist saudosista montada durante o último jogo do Brasil na Copa do Mundo tem Nina Hagen e Kraftwerk
Playlist saudosista montada durante o último jogo do Brasil na Copa do Mundo tem Nina Hagen e Kraftwerk

As ruas do Brasil estão vazias. Quem trabalhou nesta terça-feira de Copa do Brasil, foi liberado às 13h para que às 17h estivesse disponível para torcer para a seleção verde e amarela. Tenha planejado aninhar-se em casa ou animar-se com anônimos, é indiscutível que a trilha sonora desta semifinal começou embalada por um instrumento, em uníssono: as malditas cornetas que poupam seus pulmões mas aniquilam nossos ouvidos.

Há também algumas vuvuzelas, remanescentes de outras Copas. Nesta Sinfônica Comemoração pelo Hexa, teve espaço também para o Hino Nacional.

Contudo, o Brasil perdeu. A tristeza de se despedir da Copa, em casa, pela goleada de 7 a 1 é nacional. Mas, para sair da marcha fúnebre, preparamos, nos 45 do segundo tempo, uma playlist saudosista. Só com musiquinhas dos anos 1980. Sete musiquinhas, em homenagem ao vergonhoso placar. Musiquinhas alemãs, é claro.

7) KLAUS NOMI, “LIGHTNING STRIKES”

O palhaço extraterrestre saiu de Bavaria, cidade colonial alemã, para tentar carreira artística em Nova York. Quando entrou no palco pela primeira vez em 1978, usando figurino espacial e um corte de cabelo anguloso, todas as atenções de “New Wave Vaudeville” (espetáculo de David McDermott programado para durar só quatro noites) já eram suas.

Mas foi o alto alcance vocal, digno dos barítonos de maior escala, que marcou o nome de Nomi na história da synthpop. Morto em 1983, ele foi uma das primeiras vítimas da AIDS.

6) FALCON, “DER KOMMISSAR”

Ok, ele é austríaco! Mas “Der komissar” é cantada em alemão e foi a música que catapultou o cantor de rock  na proeminente indústria de europop dos anos 1980. Número cinco na parada americana em 1983, esta música abriu caminho para ele se tornar o primeiro cantor de língua alemã a atingir o número 1 da Billboard com “Rock me Amadeus”.

O clipe de “Der kommissar” tem tudo que a década new wave adora: gel nos cabelos, efeito em chroma key e óculos aviador. A música, vejam só, trata de uma conversa entre um traficante e um usuário de drogas (“Ei, homem, quer comprar algum material? Você sempre usou isso, Jack”). Os gritinhos do refrão (“Oh, oh, oh”) é uma alusão à uma chamada que um cara da gangue dá ao cliente no momento que um comissário de polícia começa a circular.

5) NINA HAGGEN, “NEW YORK, NEW YORK”

É capaz que você só a conheça como a mulher que tirou a virgindade do Supla. A verdade é que Nina Haggen foi uma das atrações do primeiro Rock in Rio, em 1985, e de fato teve uma relação com o cantor paulista, que, naquele ano, integrava a banda punk Tokyo. Chegou a gravar vocais histriônicos para “Garota de Berlim”,  célebre declaração de amor que recebeu do “namorado” em forma de música.

Mas Nina é, especialmente, a cantora alemã que melhor representa a cena cultural berlinense. Não se surpreenda se, hoje em dia, andando pelas ruas vanguardistas de Kreuzberg, você encontrar uma sósia da cantora com um cachorro a tiracolo. Quando surgiu, em 1977, o visual de Nina Hagen já tinha os códigos principais dos primeiros (e atuais) punks do mundo: cabelo colorido e raspado em áreas estratégicas, olhos marcados com muito kajal, piercings, xadrez…

4) ALPHAVILLE, “BIG IN JAPAN”

A projeção de pinceladas tecnicolor no rosto do tecladista Bernhard Lloyd e da fita cassete em movimento no corpo nu do vocalista Marian Gold dá status de videoarte para este filme musical, que é um dos epítetos videoclípticos da década. No entanto, é pelas caras e bocas de Gold que o clipe é lembrado: vestindo um macacão preto de corte quadrado repleto de tachas nas mangas e nas bainhas, a performance do alemão de Münster fica no limiar do escracho.

Em estúdio, os três integrantes do Alphaville balançam bandeiras, incitando que um golpe de estado está próximo. As imagens de explosão e manifestação projetadas no telão atrás de Gold reforça o roteiro (o assunto é recorrente na época, como visto na one hit wonder de Nena). Mas é preciso muita boa vontade para pescar tudo isto no clipe, que é marcado pela iconografia do kabuki (ópera japonesa performada por gueixas com rosto maquiado de branco).

3) NENA, “99 LUFTBALONS”

Noventa e nove balões soltos no céu de Berlim eram confundidos com OVNIs por generais apocalípticos, que, na eminente explosão de uma Guerra Fria, decidem adiantar o sofrimento da nação alemã e apertam um botão nuclear. Número 1 na Alemanha em 1983, a música, assim como o hit de Falcon, ganhou versão em inglês (“99 balões vermelhos”) e chegou ao topo no Reino Unido no ano seguinte.

A música é otimista e tem punch dançante. Exorcize todas as suas paranoias ao som dos sintetizadores que contagiaram até o personagem Homer Simpson, que aparece cantando a música de Nena em episódio icônico da série de animação que leva o seu sobrenome.

2) SANDRA, “(I’LL NEVER BE) MARIA MAGDALENA”

Isto você não sabe: em 1991, era desta alemã de covinhas singelas a voz do projeto Enigma, que misturava canto gregoriano com a música eletrônica calminha (um ritmo musical que, anos mais tarde, seria identificado como trip hop). Com “Maria Magdalena”, Sandra permaneceu 16 semanas no Top 20 alemão e foi número 1 também na Holanda, na Suécia, na Noruega e na Áustria.

O hit, que foi relançado em 1993 com remixes que (re)incendiaram as pistas europeias, também permaneceu 15 semanas na parada brasileira por ter sido incluído na trilha sonora da novela “Selva de Pedra”. Mas as batidas marcantes, a parceria emocionada da cantora com o tecladista backing-vocal e a dancinha que ela faz no final do filme, a partir minuto 3′, valem o seu clique imediato.

1) KRAFTWERK, “THE ROBOTS”

A música é de 1978, mas ganhou força ao longo da década seguinte, com este videoclipe magistral. Os quatro pais da eletrônica — que até pouco tempo antes de lançarem o álbum “The Man-machine” sentavam em roda em estúdios escuros para viajar experimentando rock psicodélico — são desumanizados por uniformes idênticos, penteados feitos com gel que garantiam efeito plástico e maquiagem androide.

Este videoclipe encerra nossa homenagem à seleção brasileira, que permaneceu robótica até final do segundo tempo — quando o camisa 11, Oscar, fez o único gol da partida. Auf wiedersehen!


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